#Os Intocáveis#




Os Incríveis (The Incredibles, 2004)


  
 É difícil eu desgostar de animações, não devem se contabilizar 10 no total. Mas não é por isso que não merecem créditos. A nova animação da Pixar/Disney é muito boa, diversão de primeira, e inovadora para a produtora. Inovadora por que? Porque utiliza mais do humor adulto, o humor satírico e irônico, o famoso humor negro, mesmo sendo um filme bem família. O que Shrek fez em 2001 foi abrira porta para o uso dessa fórmula em animações, agradar não só ao pimpolho, mas também as seus pais que vão apenas para acompanhá-las. É querer conquistar o maior número possível de adoradores do filme, é querer ganhar muito dinheiro.

 A película é mais um filme de ação e super-heróis, só que desta vez feita inteiramente no computador. E com um toque muito maior de humor. Afinal quem é que processa um super-herói por evitar sua morte? Só mesmo o persongem de Os Incríveis, que processou o Sr. Incrível por evitar sua morte causada por uma queda de um prédio alto. E porque o processo? Porque a intenção dele era o suicídio, e o herói valente o impediu de alcançar seu objetivo. Esse é o ponto de partida. Os super-heróis foram proibidos de bem feitorias, pelos estragos que causam. E anos depois, Robert Parr ainda se vê em seus dias gloriosos, mesmo impedido. E é com a oportunidade de vestir mais uma vez seu uniforme que ele se arrisca, assim como a sua família. Uma família inteira constituída por pessoas com poderes fora do comum: Sr. Incrível e sua força descomunal; Mulher Elástico e sua elasticidade (duh); Violet e sua invisibilidade e poder de formar campos de força; Dash (Flecha) e sua incrível velocidade; e Jack-Jack e sua, ãh, aparentemente nada.

Sinceramente eu não sei o que me fez não gostar tanto do filme, é um dos mais fracos da parceria. Não sei se foi por colocar super-heróis como personagens principais, já que atualmente já fui overdosado com esse tipo de filme, ou se é em si por não conter todas aquelas coisas "mágicas" que geralemente me agradam em animações. Só sei que está longe de ser a maravilha que anunciaram. É um filme bacana, isso não se pode negar, mas a partir do momento que você entra no cinema e se depara com mais uma comédia de ação, só que desta vez feita com as maravilhas digitais, não há muito com o que se encantar. O que foi diferente com O Expresso Polar, um filme que assisti e saí fervoroso e inebriado.

Pelo menos podemos destacar as muito bem construídas personagens. Já que os poderes sempre condizem com sua personalidade. Quem não vai se identificar com pelo menos um deles? O que mais gostei foi o Sr. Incrível, aquele brutamontes trapalhão que não vê a hora de ter a glória novamente.

Eu estava gostando do filme bem mais no começo, quando o humor prevalecia, as coisas do cotidiano. Os seres humanos em foco, a análise do ser humano de uma maneira peculiar. Os costumes, os esteriótipos, as características. Mas teve a reviravolta, e tinham que agradar mais a criançada, implantou-se toda a ação do filme e aproveitou para enxertar lições de moral pequeninas. Eu provavelmente teria me interessado bem mais se fosse a história dos Parr após a decadência, tendo de se ajustar ao cotidiano regular das pessoas normais. Uma comédia dos erros. Mas mesmo assim a celulóide não decepciona os amantes do gênero e uma boa amostra do bom e clássico cinema pipoca.

E o menino que vê Robert Parr irritado levantado o carro é o máximo.

Nota: 70/100

Escutando: CD (Tigermilk - Belle and Sebastian); Música (Fool's Overture - Supertramp)

A Descobrir

A Felicidade Não se Compra (It's a Wonderful Life, 46) - O #6 na minha lista de preferido é esta fábula natalina de Capra. O filme que conta a história de um rapaz que está na desgraça durante o Natal, e descobre valer mais morto do que vivo, então decide se matar. Um anjo então é nomeado para ajudá-lo, dando-le a oportunidade de ver como seria a vida das pessoas se ele nunca tivesse existido. James Stewart é um show de carisma. O filme fantástico, humano e porque não cômico e romântico. Um filme para se descobrir, e não apenas uma vez, porque a cada vez que o vejo mais eu gosto.  [100]

PS: A imagem do Jack-Jack foi colocada em homenagem a Mel, que amou tanto essa persoangem.



 Escrito por Gabriel Carneiro às 15h15
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Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera (Bom Yeorum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003)


 

Esse é um filme que me abateu uma enorme curiosidade de ver depois do que li no Fórum Adorocinema. Mas nunca pensei que iria assití-lo no cinema, ainda mais porque fiquei interessado em vê-lo há mais de dois meses, e desde aquela época só estava passando em uma sala de cinema. E por intermédio divino isso continua, dando-me assim a oportunidade de conferí-lo na tela grande. Devo dizer que o filme me surpreendeu, esperava dele apenas o excelente visual, mas não, o filme tem um belo conteúdo - mesmo sendo lições de moral um pouco ultrapassadas, mas não deixam de ser belíssimas as maneiras que esse valores são mostrados. Esse é com certeza um dos melhores filmes "estrangeiros" (leia-se filmes não nacionais ou em língua inglesa) do ano, se não for o melhor.

Muito do poder do filme se encontra na belíssima fotografia, que chega a ser melhor a cada momento que se passa. A paisagem é linda, inebriante, um lugar que dá vontade de morar mesmo sendo compeltamente isolado de tudo. E isso nota-se bem pelas imagens postadas acima. Sinceramente, são poucas as fotografias de tal qualidade, ou mesmo o cenário. E mesmo se o filme não tivesse conteúdo, valeria só pelas fantásticas imagens que o filme proporciona. Pode-se até dizer que o filme é técnico, pois tudo gira em torno disso, mas é muito mais que isso. A trilha sonora é esplêndida. Tecnicamente impecável, primorosamente lindo.

Kim Ki-Duk é um bom diretor, sabe conduzir bem, e tem sim seus méritos. Escreveu um ótimo roteiro sobre um monge velho que está a ensinar um jovem a se tornar um monge, a aprender como viver no mundo árduo e corrompido, esse é o motivo da solidão. Cada estação do título se refere a uma mudança na vida do monge novo, a cada nova experiência, percorrendo todo sua vida. Como se a vida e as estações fossem ciclos intermináveis, e é isso que o filme quer mostrar. De uma maneira sensível e exploradora da cultura oriental. O que se renova a cada estação? o que de novo acontece nelas? As fases da vida são como estações.

O que o homem aprende com os outros? Porque há a necessidade de haver as descobertas por conta própria mesmo se já disseram o que ocorreria? Porque para um possível arrependimento é necessário que você passe pelo mesmo? Todos tem a mesma resposta, e a celulóide explora exatamente isso. A cada fase de sua vida você aprende algo, algo que pode ou não representar um grande amadurecimento nela, uma mudança drástica, nunca se sabe o que está por vir. A calamidade que é o ser humano tem limites infindáveis variando por cada um. Todos são diferentes, mas a essência é a mesma. É inevitável afirmar que seremos iguais por todas nossas vidas e que nada pode nos abalar ou alterar de alguma maneira para que não mudemos de qualquer forma, nem que seja uma sutileza. O que é destino? Aquilo que foi pré-determinado pelo ser supremo ou a consequência de nossos atos? O questionamento de nossa vida não é sempre algo que possa ser respondido, ninguém sabe melhor que nós da própria vida, e isso não significa que saibamos de tudo dela. A película é uma análise do comportamento humano, de seus questionamentos, de suas atitudes. Porque somos de tal maneira e não de outra? porque agimos mais pelo emocional que pelo racional? porque não ouvimos os outros?

Oh Yeong-Su interpreta o monge velho. Ele que ensina o garoto. Ele é um excelente ator. Fatos. Mas o filme não é formado de exatidões, e de perfeições, por mais que seu visual diga que sim. Conceitos ultrapassados, mas nunca tão bem explícitos. A vida, o ciclo, mostra que por mais que andemos e vaguemos nesse mundo a procura de algo novo, vai sempre terminar da mesma maneira...só, vivendo num mundo seu, esquecidos pelos outros. Por mais que tenhamos milhares de amigos e sejamos o supra-sumo da sociedade, vamos morrer engasgados pelo solidão. E o monge velho sabe de tudo isso, ele é um sábio, um místico, que memso assim se vê num fiasco e frustração.

O trecho que mais gostei foi o do outono, provavelmente por ser o mais poético. Em que após o esquecimento das disciplinas e o conhecimento do mundo real, há a volta as origens. Onde a melhor cura para o ódio é proferindo esse ódio em algo focado, o relaxamento. Não quero ir além desses trechos subjetivos para não estragar quem não viu, portanto não vou mais além. Mas tem outras cenas que gostei bastante, como o primeiro aprendizado do menino, que se debulha em lágrimas ao ver a cobra.

Quero revê-lo, baixei-o no EMule, só que não entendo o coreano. Devo revê-lo por lembrar do que acontece e pelas maravilhosas paisagens. Um filme que vale muito a pena ser visto no formato digital e cristalino, as cenas se tornarão mais conquistadoras e o filme provavelmente mais encantador. Não vejo a hora que saia em DVD, mesmo sabendo que isso pode demorar, afinal faz uns quatro/cinco meses que o filme estreou e desde então permanece aqui em São Paulo no mesm lugar.

Nota: 86/100

Escutando: CD (Off Cabbages and Kings - Chad & Jeremy); Música (Gysy Girl - Powder)

A Descobrir

E Sua Mãe Também (Y Tu Mamá Tambiém, 01) - Mais um excelente filme latino dos últimos anos, aliás o novo cinema mexicano têm rendido muito bons filmes, este, Amores Brutos e O Crime do Padre Amaro como exemplos. Este é uma fábula sobre a sexualidade, o foco do filme é basicamente nisso, a exploração e o conhecimento do sexo por dois jovens, que acabam se envolvendo com uma mulher mais velha. Mas não é só isso, é a contextualização da história sócio-político-econômico do México. É a descoberta da vida, dos prazeres e de um novo mundo, é o auto-conhecimento. Sem dúvida um dos melhores finais que já vi. E a cena que os três discutem sobre as ousadias sexuais fazendo comparações é simplesmente fantástico. Diego Luna se revelando para o cinema, e Bernal mostarndo mais uma vez a força do cinema latino.  [94]



 Escrito por Gabriel Carneiro às 14h39
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Prêmios Lumiére

Os Prêmios Lumiére, são os prêmios dados aos melhores do ano pela Academia de Blogs de Cinema (ABCine), da qual faço parte. A ABCine está passando atualmente por reformas, e um novo site será concebido como sede.

"A finalidade destes prêmios é reunir os blogs membros da Academia e votar no que de melhor se fez em cinema em 2004 (filmes estreados entre 1 de Janeiro e 30 de Dezembro, em Portugal e no Brasil). O calendário dos prêmios já está feito: as nomeações para as 26 categorias (ver abaixo) começarão no dia 1 de Janeiro de 2005 e terminarão no dia 15 do mesmo mês. No dia 18 de Janeiro, serão anunciados os nomeados para as várias categorias e os vencedores serão escolhidos após uma votação que decorrerá durante 7 dias. No dia 30 de Janeiro serão divulgados os vencedores do ano."

Categorias dos Prêmios Lumiére

*Melhor Filme
*Melhor Filme em Português
*Melhor Diretor
*Melhor Diretor em Português
*Melhor Ator
*Melhor Atriz
*Melhor Ator em Português
*Melhor Atriz em Portguês
*Melhor Ator Coadjuvante
*Melhor Atriz Coadjuvante
*Melhor Ator Revelação
*Melhor Atriz Revelação
*Melhor Animação
*Melhor Documentário
*Melhor Roteiro Original
*Melhor Roteiro Adaptado
*Melhor Direção de Arte e Cenário
*Melhor Maquiagem
*Melhor Fotografia
*Melhor Montagem/Edição
*Melhor Figurino
*Melhor Efeitos Visuais
*Melhor Efeitos Sonoros
*Melhor Som
*Melhor Trilha Sonora
*Melhor Canção
*Prêmio Especial (concedido a alguma obra ou personalidade)

PS: O que está entre "..." foi copiado do blog de Tiago Teixera, o MoviesUniverse. Agradeço a você pelo pedaço do texto.



 Escrito por Gabriel Carneiro às 22h15
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O Novo Cenário do Cinema Latino

O cinema atual latino está diferente, produzindo e criando bons filmes, e não apenas de conteúdo, mas tecnicamente falando. Certo que ainda produz bombas como Olga, mas está no geral tendendo para o positivo. Queria poder incluir aí O Abraço partido, mas infelizmnete ainda não o vi. Portanto pretendo comentar dois filmes, um nacional e um uruguaio. Ambos apreciados bastante por mim.

Acho que a principal causa de tais produções não sejam apenas devido ao maior investimento nessa área, que é muito baixo em países com menor índice de desenvolvimento econômico, mas também as crises que esses países vem sofrendo. Aparentemente quando o país está em crise a probabilidade de ele querer se sobressair em algo tende a aumentar, e nesses últimos anos vêm sendo produzidos filmes com bastante qualidade. Só sei que quem sai ganhando com isso somos nós espectadores.

Nina (Nina, 04)

  Mesmo as críticas tendo sido muito negativas, o filme me agradou bastante. Nina me chamou muito a atenção. E não só pelo roteiro que me agradou bastante ou pela excelente direção de Heitor Dhália, mas principalmente pelo visual e clima da película. Um visual obscuro, uma ótima fotografia e direção de arte. Trilha sonora e tudo tecnicamente é esplendoroso, uma pena que um filme só não se faz disso. O filme contém cenas meio ilógicas e desagradáveis. Ninguém merece a inossa e fraca atriz, Guta Stresser, fazendo strip-tease. Ela não é sexy, e colocam ela fazendo uma cena semi-erótica, não faz muito sentindo. Destaque em atuações vai para a ótima e rabugenta Myriam Muniz, que interpreta a senhoria da casa Dona Eulália. Ela rouba todas as cenas com sua rabugentisse e mal-humor, as frases "Não me im-por-ta." e "Não é problema meu.", em sua devida tonalidade não seram esquecidas tão cedo. Baseado no livro Crime e Castigo, e contando com histórias em quadrinhos adultos (não pornográficos) ilustrando a história, a celulóide narra a história de Nina, uma garota atormentada pela dona da casa, que é uma velha mesquinha e sádica. E é vivendo nesse inferno de local e numa cidade desumana que ocorre um crime. Um filme com grande potencial mas que falhas em algumas coisas. Mas não pode se negar que a qualidade técnica brasileira avançou muito, pois a produção bate com muitas produções norte americanas.

Nota: 78/100

PS: E foi com muito pesar que vi que Miriam Muniz faleceu ontem (18/12). Eis o link.

Whisky (Whisky, 2003)

 Whisky é um filme simples, com um roteiro simples, boas atuações, um visual apagado, e que nem por isso deixa de ser bom. E é a simplicidade que o leva a tal qualidade, em nenhum lugar o filme é pretencioso, ou quer ganhar fãs e virar cult. O filme só quer contar a história, falar da rotina incessante dos trabalhadores de classe média, mostrar como é difícil ser sozinho na vida e ter aventuras na vida. É um filme basicamente sobre rotina e conformismo. Conformismo porque? Porque é basicamente nisso que vive o protagonista, um cinquentão solteiro, dono de uma fábrica de meias que não faz nada além de trabalhar e viver sua patética vida, e o que ele faz para mudar? nada, exatamente nada. E quando seu irmão que mora no Brasil vem para o "enterro" de sua mãe, para não ser perturbado com aquelas habituais perguntas "Quando você vai arranjar alguém? Família?", o que ele faz? Pede a sua funcionária que se passe por sua esposa. Há um nítido interesse nesse relacionamento por ambos, mas ele continua na mesma. É como se nada tivesse importância para ele, que já se acostumou com a patética vida dele, parece que ele desistiu de viver e só vive em função de sua rotina. Ele até tem a intenção de remunerar a funcionária só para ele não passar pela encheção do irmão que está feliz,  casado e com filhos, morando bem no Brasil e ganhando um bom salário. A frivolidade da personagem principal é imensa que não faz nada além de dormir e comer. Destaque para o roteiro tão bem elaborado e pelas ótimas atuações. Um filme que tem cara de ser latino e que o faz com muito gosto.

Nota: 72/100

Escutando: CD (The Best of Blur - Blur); Música (Here Without You - The Byrds)



 Escrito por Gabriel Carneiro às 22h35
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Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 04)


 

Finalmente posso dizer que tudo que eu esperava para o fim desse ano ocorreu. Finalmente estreou Antes do Pôr-do-Sol em São Paulo, algo que eu já estava duvidando que acontecesse esse ano. Primeiramente foi marcado para 29/10, e não é que estreou - só que apenas no Rio de Janeiro. Mas sem delongas ele finalmente chegou no último dia 10/12, e pude conferí-lo com muito afinco. O filme, vocês já sabem ou imaginam que é maravilhoso, pois é, e aqui vai constar mais uma crítica intelectualóide super elogiando o filme, nada que vocês não tenham visto, nada que o filme não mereça.

Não saí bem da sessão confesso, não foi como em O Expresso Polar. De fato, Antes do Pôr-do-Sol nem tem conteúdo ou premissa para sairmos nos sentindo bem da sessão, e sim apenas mal e pensativo. É o tipo de filme que faz você pensar depois, enquanto a nostalgia toma conta de você e acaba por te enervar. Mas não é o tipo de filme que faz você pensar como é que aquilo aconteceu, ou o que levou a acontecer tudo aquilo, mas sim na vida, naquilo ficou para trás, ou em que você não quer que fique. Sim, a celulóide mexe com a sua cabeça, com seus pensamentos e com a sua própria visão de mundo. Um filme para você não assitir apenas uma vez, e sim inúmeras, um filme que nunca vai cansar. Inclusive meu primeiro ato após sair da sessão foi querer comprar outro ingresso, mas não o fiz. E me arrependo. Mesmo porque não é sempre que você se depara com o filme com tamanha inteligência, ou tão simples abordagem. Lembra um pouco a forma de filmes franceses, aqueles que são basicamente formados por monólogos ou diálogos, apenas isso. E um filme nunca pode ser tão maravilhoso e tão feliz em seu resultado final. A sutileza com que os temas foram abordados, ou mesmo na simplicidade de suas falas, mas que contém um pesaroso "q" de profundidade, de vivência, de paixão. Isso tudo é o que faz a diferença, e não só para os dois em cena, como também para o espectador.

Richard Linklater é um gênio. Como alguém pode criar algo tão fantástico como Antes do Amanhecer, e depois fazer uma continuação tão original quanto ao primeiro? E Linklater fez, em apenas 15 dias, algo esplendoroso. E não digo só pela fantástica direção, mas principalmente pela franqueza e modernidade do roteiro. Uma coisa tão atual, mas que pode ser tão retrô, afinal o conceito de amor a primeira vista é um tema dos Românticos, aquela idealização toda. Um roteiro que está pau-a-pau com o de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, um filme que eu também aprendi a idolatrar.

Antes do Amanhecer, seu antecessor, me é crível ser melhor. Gostei mais do primeiro episódio sobre Jesse e Celine, acho que provavelmente pelo romance em si. Nesse eles relembram e falam como é que tudo aconteceu, falam do encontro seis meses depois do primeiro filme, discutem suas vidas e falam de outras coisas. E isso acontece nove anos depois, quando Jesse vai para Paris divulgar seu livro. Ele está casado e tem filho, ela está envolvida em outra relação, eles são pessoas mais maduras, mais vividas. Mas será que toda aquela paixão foi esquecida ou superada?

Julie Delpy é uma atriz fenomenal. Ethan Hawke é um ótimo ator se for bem aproveitado. Ambos estão excepcionais, ambos estão em seu limite. Nunca se foi falado da vida e do amor de uma maneira tão simples e realista, são eles falando - os atores e não as personagens. É como se nós estivéssemos vivendo aquilo que ele fala, dizendo e sentindo aquilo. Eu sei que eu tenho apenas 16 anos, e vida e amor e profundidade são coisas que não sei. Que eu não entendo nada. Mas eu sei que fagulhas de tal já me atingiram, tenho muito que aprender sobre vida e amor, mas pelo que pouco que sei e que conheço foi o suficiente para eu saber o quão esse filme é genial.

O filme não se destaca apenas por tudo que eu falei e ainda acabarei repetindo, também pela excelente fotografia e trilha sonora. Sendo que o cenário é Paris, é impossível não apreciar a fotografia. A trilha que conta com três canções originais da própria Delpy, uma cantada no filme, e que achei fantástica. Fora a parte instrumental e os hits de outrora. Não podia ser mais bem sucedido.

Como um filme baseado em conversa, diálogos, pode ser tão maravilhoso? Tão formador de opiniões e conceitos? Esse consegue, e cada vez que me lembro dele, mais eu gosto dele, mais eu me encanto, e mais nostálgico/esperançoso/saudosista eu fico. Preciso revê-lo urgentemente, assim como a Antes do Amanhecer. A cotação que eu atribuir pode parecer injusta, mas com certeza ela vai aumentar, isso foi atribuído logo após que acabou a sessão. Só vendo para saber e se emcionar e se contagiar.

Nota: 94/100 - nada que não vá aumentar.

Letra de A Waltz For a Night, cantada pela Delpy em uma das melhores cenas do filme.

Escutando: CD (Both Sides Now - Joni Mitchell --> tentem escutar horas depois após ver o filme, sua solução vai ser a vontade de se dar um tiro, tá, não é só os dois que fundamentaram isso); Música (As The World Falls Down - David Bowie)

A Descobrir (republicando)

Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) - Com o lançamento da continuação "Antes do Pôr-do-Sol", resolvi assistir este Antes do Amanhecer. E não é que adorei o filme, super intimista, pessimista em relação a vida, mas que sempre conta com um ínfimo de esperança. Jesse e Celine são dois jovens a viajar que se encontram e decidem explorar Viena. E é com a premissa que eles terão até Antes do Amanhecer que eles se tornam uma pessoa, contando e descobrindo sobre a vida. E que venha o segundo - e veio, para minha felicidade.  [98]



 Escrito por Gabriel Carneiro às 12h51
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Dirty Dancing - Ritmo Quente (Dirty Dancing, 89)


 

Dirty Dancing é mais um daqueles filmes dos anos oitenta, que assim como Flashdance, Footloose e Os Embalos de Sábado a Noite (1 e 2, que apesar de ser produzido no final da década de 70, foi o percussor do gênero) são considerados musicais, um fato inexplicável, como podem considerar um filme em que os atores não cantam um musical, o mais próximo de musical que esse Dirty Dancing chega são nas cenas em que dublam duas canções e quando a irmã da personagem principal canta numa apresentação, ou seja existe um motivo para cantoria, ao contrário dos musicais de verdade, onde começam a cantar do nada. Estes filmes não passam de filmes com e sobre danças com ótimas trilhas sonoras, só isso. Dirty Dancing é um romance, os outros mencionados acima são dramas, não há contestação. E este que é um romance é um ótimo filme, diferente dos outros que são filmes fracos, e com roteiros piegas, apesar de serem revolucionários na época e serem grandes bilheterias, não resistiram ao tempo.

O diretor Emile Ardolino mostra muito bem o lado romântico da história, onde o amor pode vencer tudo (que pode parecer uma temática batida, mas que ainda funciona), tendo controle sobre os atores e o roteiro, Ardolino consegue mostrar intensamente o romance que em pouco tempo se inicia, e combina muito bem a dança com o romance, sempre mantendo os dois em primeiro planos, e deixando os motivos decorrentes em segundo. O que é bom, dar ênfase ao que realmente importa para história.

Baby (Jennifer Grey) é uma garota de 17 anos que acha que pode mudar o mundo com sua ajuda e bondade. Johnny (Patrick Swayze) é um professor de dança, que joga duro com a vida, pois muito já apanhou dela, o tornando uma pessoa amarga e sem esperança. No verão de 1963, num hotel de veraneio eles se conhecem, e devido aos problemas recorrentes do local, ela começa aprender a dançar, e ambos se envolvem num romance "caliente", mesmo havendo preconceito por parte do pai dela.

Este foi o penúltimo filme de prestígio de Patrick Swayze, pois sua carreira acabaria em termos com Ghost - Do Outro Lado da Vida, ele está bem, mas nunca foi um grande ator, vai ver este é o motivo para suas últimas atuações serem de coadjuvantes secundários em filmes independentes, na verdade ele praticamente usa o filme para expor seus músculos. Jennifer Grey, que hoje está sumida, é fraca, mas nada que mereça atenção especial. Na verdade, no quesito atuação não há nada que mereça destaque, pois parecem atores saídos de American Pie.

Já tecnicamente, existe um grande destaque, provavelmente a melhor ciosa do filme, a magnífica trilha sonora, que emplacou a canção ganhadora do Oscar de Melhor Canção em 1987. Seu nome é "(I´ve Had) The Time of Our Life" e é de longe a melhor canção do filme e uma das melhores da década, assim como é a melhor música, é também a melhor cena do filme, Johnny e Baby dançando essa música chega a ser emocionante. Sua trilha ainda tem participações no vocal do próprio Swayze, e outras músicas que merecem ser apreciadas, se possível separadamente do filme.

Dirty Dancing é um ótimo filme de romance e dança, com um bom roteiro e excelente trilha sonora, provavelmente o melhor dos "filmes sobre dança", que teve o prestígio que merecia, um filme para cima que te deixa bem no final. Mas não esperem um dos melhores filmes de todos os tempos, pois não passa mais de uma boa diversão. Vale ser conferido, eu recomendo.

Nota: 81/100

Escutando: CD (Out of Time - R.E.M.); Música (You're the One - The Carpenters)

A Descobrir

Thriller - A Cruel Picture (Thriller - en grym film, 74) - Filmaço que tive o prazer de assitir graças a Sessão Dupla do Comodoro. Nunca foi exibido no Brasil, este filme que é uma das principais bases de Kill Bill, um filme de exploitation fantástico. Conta a história de uma garota que "ficou" muda após ter sido estuprada quando pequena, e que depois de 20 anos é sequestrada e viciada em heroína para servir de prostituta. Uma bela história de vingança, que rende várias cenas cômicas. Muitos dizem possuir um alto teor de violência, mas nada que tenha me chocado, porém possui cenas de sexo explícito, digamos que não é um filme para qualquer um. Mas sempre vale ser descoberto, recomendo importações do Amazon.  [84]



 Escrito por Gabriel Carneiro às 23h44
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Os Esquecidos (The Forgotten, 2004)


 

Eu ainda não consigo entender porque eu fui assistir esse filme. Sinceramente, não entendo. Lembra quando eu falei no post de O Expresso Polar que eu saí encantado da sessão, apaixonado? Pois é, neste foi exatamente o contrário, saí com o ódio e repulsa a tamanha estupidez cinegrafada (sim, cinegrafada não dirigida) por Joseph Ruben. Ainda não entendo como atores de porte como Julianne Moore e Gary Sinise se envolvam em tais estapafúrdios projetos. O filme, neste ano nos cinemas, só não é pior que o horripilante Chamas da Vingança. Sabe quando você sai da sessão com a impressão de que o cinema em geral está cada vez pior? Agora imagina quando você sai da sessão e pensa que o cinema pipoca (aquele despretensioso, que tem só tem por única obrigação divertir) está perdido. Isso sim é grave. Porque gastam dinheiro produzindo tanta bobagem?

A primeira coisa que devo dizer quanta a direção é que ela não existe, todos os atores estão periddos, as cenas não tem lógica, o roteiro desprezível. Se vocês conseguirem, por favor me expliquem porque num filme de ETS, nenhum aparece. Ah, e se possível me digam porque as coisas são sugadas para o céu. E também me digam o porque eles tentaram mesclar vários tópicos e temas e desenvolvê-los tão porcamente. Bom, essas indagações e o filme têm algo em comum, não há respostas condizentes.

A principal falha do filme é ter um roteiro tão absurdo que até os mais fanáticos por bizarrices e conspirações acabam achando a película por demais extravagante (se assim posso denominar esse filme). Disseram: "o filme é para os órfãos de Arquivo X", eu particularmente nunca assisti e detestei Os Esquecidos, e quem é fanático pela série partilhou da mesma opinião que a minha. Não há lógica alguma no filme, e ainda tenta passar mensagens sentimentalistas e de que o amor vence tudo, blá blá blá. Cada vez mais os blockbusters hollywoodianos tornam-se mais piegas e clichês, e não de uma maneira boa e necessária. A celulóide seria muito superior se terminasse de um jeito que não estragasse o clima que tentou ao longo do filme inteiro passar. Como me irritam esse tipo de final moralista.

Agora a parte boa do filme, a sempre maravilhosa Julianne Moore. Se não fosse por ela, o filme seria mais insuportavelmente chato. Sua atuação não é expecional, mas para o padrão do filme, onde Dominic West e Gary Sinise (e pensar que essa cara já teve atuações excelentes) estão beirando o ridículo, com atuações caricatas. Moore devia rever seus conceitos quanto a escolha de roteiros.

Uma pena nem como comédia serve. Porque nem rir com tamanha idiotice você consegue. O filme tenta ser sério, passar um drama por trás de toda superficialidade da trama, mas o drama acaba sendo mais superficial que toda trama. Salva-se algumas aturáveis cenas e a incrível Julianne Moore. Nem a trilha sonora deste é boa, como a de Chamas da Vingança. Eu diria que não gostei do filme porque eu não acredito em ETS, mas isso seria uma mentira devido a filmes como E.T. - O extraterrestreContatos Imediatos de Terceiro Grau.

Nota: 25/100

Escutando: CD (OST The Notebook- Aaron Zigman); Música (Moon River - Audrey Hepburn)

A Descobrir

O Último Tango em Paris (Ultimo Tango in Parigi, 72) - Me surpreendo cada vez mais com Bernardo Bertolucci e Marlon Brando. O melhor filme de Bertolucci, e a melhor atuação de Brando, e eu pensando que nunca veria uma atuação melhor que a do velho Don Corleone. Com uma premissa simples e um roteiro absolutamente fantástico, o filme narra a história de duas pessoas desconhecidas que se encontravam em um apartamento para fazer sexo, sem nunca trocarem nomes ou histórias. Um filme deprimente, e não por menos extraordinário que mostra sa verdadeiras facetas do ser humano. Não tenho mais palavras para descrever como esse filme é maravilhoso, pois elas são insuficientes.  [100]

PS: Viva. Após quase um mês de tentativas frustradas e diversos pedidos de ajuda eu finalmente consegui transformar aqueles diversos links iguais em um só. Finalmente, mal posso acreditar, que agora ficou como eu queria... E quanto que eu mexi, sem obter resultados, no template do blog.



 Escrito por Gabriel Carneiro às 10h35
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Filmes que vi em Novembro

legenda: revistos

  • Peixe Grande (Big Fish, 03)  [96]
  • A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi, 01)  [100]
  • Adeus, Lênin! (Good bye, Lênin!, 03)  [100]
  • O Último Samurai (The Last Samurai, 03)  [96]
  • Cazuza - O Tempo Nâo Pára (Idem, 04)  [45]
  • Os Esquecidos (The Forgotten, 04)  [25]
  • Amor Maior que a Vida (Waking the Dead, 00)  [53]
  • Gosto de Cereja (Ta'm e guilass, 97)  [43]
  • Encruzilhada (Crossroads, 86)  [60]
  • Dogma do Amor (It's All About Love, 03)  [28]
  • Deuses e Monstros (Gods and Monsters, 98)  [100]
  • Todo Poderoso (Bruce Almight, 03)  [80]
  • Nascido em 4 de Julho (Born on the Forth of July, 88) [69]
  • Hellboy (Hellboy, 04)  [56]
  • Romeu + Julieta (Romeo + Juliet, 96)  [74]
  • O Último Tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi, 72)  [100]
  • A Estranha Família de Igby (Igby Goes Down, 02)  [52]
  • Nina (Nina, 04)  [78]
  • Olga (Olga, 04)  [30]
  • Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tifanny's, 61)  [73]
  • O Expresso Polar (The Polar Express, 04)  [100]
  • Efeito Borboleta (The Butterfly Efect, 04)  [89]
  • Anti-Herói Americano (American Splendor, 03)  [65]
  • Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 81)  [72]
  • Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 91)  [65]

Comentários: Peixe Grande e A Viagem de Chihiro ficam ainda melhores da segunda vez que você vê, ao contrário de O Último Samurai - que não deixa de ser um filmaço. Não entendo toda esse hype em cima de Gosto de Cereja, filme com boa idéia mas de realização medíocre. Dogma do Amor é melhor do que eu esperava, assim como Romeu + Julieta. O Último Tango em Paris contém a melhor atuação de Brando em sua carreira. Olga é uma novela tipicamente global, com a diferença de ter duas horas e vinte de duração.

Mês fraco em quantidade, 24 no total. Em que eu utilizei para rever alguns filmes que eu gostei muito. Tirando os que eu revi foi um mês médio, com obras-primas e alguns bem fracos.

Melhores Filmes:

  • O Último Tango em Paris
  • A Viagem de Chihiro
  • Adeus, Lênin!
  • Deuses e Montros
  • O Expresso Polar

Piores Filmes:

  • Os Esquecidos
  • Dogma do Amor
  • Olga
  • Gosto de Cereja
  • Cazuza - O Tempo Não Pára

Escutando: CD (Who's Next - The Who); Música (Wild Thing - The Troggs)



 Escrito por Gabriel Carneiro às 11h00
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Cotação

 

 0 – péssimo (0-10)

  - ruim (11-34)

  - regular (35-54)

  - bom (55-74)

  - ótimo (75-89)

  - fantástico (90-100)

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